Segunda-feira, Novembro 22, 2010

A Carta que Nunca Será Lida

Rio de Janeiro, 22 de Novembro de 2010.

Só espero que você não trabalhe todos os dias da semana. Porque depois de oito anos com a mesma roupa sendo usada a memória encarde. Eu ainda posso sentar no seu colo e nunca vai importar que a camisa seja a mesma, que esteja gasta ou suja.

No caminho tinha uma criança que falava sozinha. Eu também falo com você, sozinha.

No fim da tarde eu sempre arranjo alguma coisa pra fazer antes do horário que você volta para casa, me desculpe se nunca estou por perto quando você chega, talvez por isso que eu não te veja. Porque você pode estar diferente depois de todo esse tempo e o medo me faz vestir coisa qualquer e sair pela porta antes que você retorne.

Quando você volta?



Só mais cinco minutos e diria que te amo...

Carolina Burnier

2 rabiscos:

John disse...

Teve um toque de genialidade em "Porque depois de oito anos com a mesma roupa sendo usada a memória encarde", e o texto transmite bem uma certa ansiedade vazia.

Gostei.

B. disse...

que comentário chato esse aí de cima.