Ela iria permanecer no meio do cerco. O medo com tênues nuances a desconfiava por de trás das fechaduras, cortinas, sapatos por calçar, as valsas das meninas de quinze anos e os prazeres das pequenas lembranças.
Por agora trocaria os dias pelas noites. Se conseguisse ver chegar os sonhos que as vinha assistir sentir-se-ia melhor. Sempre sonhava com o galeão espanhol no fundo do rio que fazia parte das velhas histórias do invulgar. Certa vez lera e relera por quantas vezes se sentisse sozinha.
Saberia da solidão. Saberia das ligações no dia seguinte ou no meio da noite. Não saberia de si própria. E Deus. Saberia Deus dela? Só a sabia quando ela o sabia e por assim seus sonhos com o galeão tinham Deus como marujo em uma corrente torrencial de devaneios onde ela mesma poderia assumir nova disposição da criação.
Você poderia ficar mais um pouco. Pelo menos até que eu dormisse e pudesse chegar ao ponto de tentar achar o tesouro que era levado quando tudo naufragou. Eu não gosto de me despedir dizendo “tchau”, me parece agressivo demais. Por isso te disse o “adeus”;
-Eu não gosto de “adeus”, porque parece que eu nunca mais vou te ver.
Na verdade eu não queria dizer tchau, nem mesmo dizer adeus ou até logo. Eu só faço esse tipo. Poderia sussurrar sem dizer nada e entre os sons que eu não digo teriam os seus silêncios que intercalam com as misérias dos meus sentidos. E todas as letras que encarceram o “querer” seriam ensurdecidas pela vontade de dizer:
-Anseio
Bianca Burnier
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