terça-feira, junho 22, 2010
Igor
Tudo que leva minha assinatura vira obra, vira prima, não possuo a humildade para ser modesto, mas sim arrogância de ser perfeito, sou mais que perfeito, e minha prosa deve ser aclamada, toda veneração sobre meu verso é pouco e humilde, quero mais do que podes me dar, não aceitarei menos do que mereço e seu desleixo é pobre-ignorante, você só pode me amar e há de me amar, pois toda mancha de tinta de meu traço é mais do que você.
quinta-feira, junho 17, 2010
Canção do Perdão
- Reze, essa ultima prece.
Jogada nas escadas da porta da candelária, estava eu, ali morrendo, mas não podia dar o braço a torcer, era de fato minha ultima chance de fazer uma oração, finalmente diria a ele que sou crédula, mas de que vale a salvação, quando minha vida foi perdida?
Augusto suplicava do meu arrependimento cristão, que nunca existiu, como eu podia ter um remorso o qual não existe, e nunca existirá, sou dada aos fatos e os fatos são indiscutíveis, não sou digna de perdão.
- Luiza, reze e será salva.
Não quero ser salva de mim, isso Augusto, homem espiritualizado e nobre, não era capaz de entender, atender seu pedido de entrar ao recinto santo e a fazer a divina suplica, seria abandonar os vestígios de vida que me restavam.
Aqui estirada nessas escadas, após de me soltar de seus braços que me levavam até a igreja, irei permanecer parada e se insistir em me levar para dentro, não irei correr, pois nem forças para levantar eu tenho, mas rebater-me-ei até a morte me alcançar, sem deixar de ser Luiza da Boca de Mel.
Jogada nas escadas da porta da candelária, estava eu, ali morrendo, mas não podia dar o braço a torcer, era de fato minha ultima chance de fazer uma oração, finalmente diria a ele que sou crédula, mas de que vale a salvação, quando minha vida foi perdida?
Augusto suplicava do meu arrependimento cristão, que nunca existiu, como eu podia ter um remorso o qual não existe, e nunca existirá, sou dada aos fatos e os fatos são indiscutíveis, não sou digna de perdão.
- Luiza, reze e será salva.
Não quero ser salva de mim, isso Augusto, homem espiritualizado e nobre, não era capaz de entender, atender seu pedido de entrar ao recinto santo e a fazer a divina suplica, seria abandonar os vestígios de vida que me restavam.
Aqui estirada nessas escadas, após de me soltar de seus braços que me levavam até a igreja, irei permanecer parada e se insistir em me levar para dentro, não irei correr, pois nem forças para levantar eu tenho, mas rebater-me-ei até a morte me alcançar, sem deixar de ser Luiza da Boca de Mel.
Felícia
Como posso ser feliz, tão sozinha nessa terra de procriação, se eu não sou como eles, não sou como elas, nem ao menos sou como sou.
Felíca sempre pensava dessa forma, nem ao menos um dia via as coisas de forma diferente, ninguém era tão triste por culpa própria, nem ela entendia o porquê de agir tão diferente dos demais.
As sombras caçoavam do fato dela se recusar a procriar, pois devia por no mundo criatura tão confusa quanto ela? Ela não achava que era justo com a cria carregar o manto de seus martírios, soava como o vento seus pensamentos na vida de qualquer que a escutasse, porque para eles vazios, tanto o vento quanto as palavras ricocheteavam em suas cucas ocas, mas como nossa menina poderia contemplar seu nome, recusava as oportunidades que a naturalidade a oferecia, essa normatividade nada lhe convém, como sentiria a pureza da alegria.
Aflita e perdida se tocou, se sentiu, degustou de tudo que poderia trazer a si e com ajuda de seus dedos encontrou a essência da felicidade.
Felíca sempre pensava dessa forma, nem ao menos um dia via as coisas de forma diferente, ninguém era tão triste por culpa própria, nem ela entendia o porquê de agir tão diferente dos demais.
As sombras caçoavam do fato dela se recusar a procriar, pois devia por no mundo criatura tão confusa quanto ela? Ela não achava que era justo com a cria carregar o manto de seus martírios, soava como o vento seus pensamentos na vida de qualquer que a escutasse, porque para eles vazios, tanto o vento quanto as palavras ricocheteavam em suas cucas ocas, mas como nossa menina poderia contemplar seu nome, recusava as oportunidades que a naturalidade a oferecia, essa normatividade nada lhe convém, como sentiria a pureza da alegria.
Aflita e perdida se tocou, se sentiu, degustou de tudo que poderia trazer a si e com ajuda de seus dedos encontrou a essência da felicidade.
domingo, maio 16, 2010
quinta-feira, maio 13, 2010
.
Meio alegre sorridente
sem vergonha de mostrar os dentes
assim meio demente
Mas é meio
e outro meio
tem receio
de deixar de ser meio
ser inteiro
perder a graça
medo, anseio.
Sabe
o amor ainda não veio
Mas vai vir assim
de um jeito
bom
sem jeito
hoje um meio
meio outro amanhã
se conseguir
será só os dentes
todos o dentes
encarando de frente
não mais escondendo
nunca mais sofrendo
sumindo um meio
acabando
tudo tão limpo
sincero bonito
até meio sentido.
(Acho que esse meu poema antigo cabe como resposta positiva ao poema anterior)
sem vergonha de mostrar os dentes
assim meio demente
Mas é meio
e outro meio
tem receio
de deixar de ser meio
ser inteiro
perder a graça
medo, anseio.
Sabe
o amor ainda não veio
Mas vai vir assim
de um jeito
bom
sem jeito
hoje um meio
meio outro amanhã
se conseguir
será só os dentes
todos o dentes
encarando de frente
não mais escondendo
nunca mais sofrendo
sumindo um meio
acabando
tudo tão limpo
sincero bonito
até meio sentido.
(Acho que esse meu poema antigo cabe como resposta positiva ao poema anterior)
terça-feira, maio 11, 2010
na musica, no espaço
você não combina comigo
no gesto, na fala, no toque
não combina
não combina
não combina
no entanto, finge
dá-me esperanças e me desatina.
é a minha musa, me inspira
em você faço e me refaço
encontro-me tosco, vazio
sem vontade.
quebro-lhe em duas
me alegro na metade
me incoformo na verdade
e fico na saudade, então
de mim
você não combina comigo
no gesto, na fala, no toque
não combina
não combina
não combina
no entanto, finge
dá-me esperanças e me desatina.
é a minha musa, me inspira
em você faço e me refaço
encontro-me tosco, vazio
sem vontade.
quebro-lhe em duas
me alegro na metade
me incoformo na verdade
e fico na saudade, então
de mim
Metamorfosear
Hoje sonhei que mudava os móveis de lugar. Os móveis do meu quarto.
Assim como quem muda de vida. Buscando uma nova organização, uma diferente circulação.
Acordo e percebo que ainda tenho resquícios seus.
Talvez seja a saudade que insiste em sobreviver mesmo que ninguém a alimente.
Assim como os vegetais fazem fotossíntese bastando o sol nascer.
Não sei o que em mim faz querer remastiga-lo, regurgita-lo todos os dias, todas as
manhãs.
Chamo um amigo meu quando isso acontece.
É um amigo meio ausente porém não deixa de ser um amigo.
Seu nome é Otimismo.
E então ele me diz que isso é porque não exercito o verbo amar, que logo um novo amor virá e roubará todo o alimento da saudade do amor antigo.
Assim espero ansiosa ele chegar e acabar com todo o alimento da Saudade. Quero que ela morra sequinha e mesmo que venha a luz solar matutina ela não tenha sequer forças
pra enxerga-la.
Será aliviador.
Promento pro sol e pra mim mesmo que quando esse dia chegar eu mudarei meus móveis de lugar.
Assim como quem muda de vida. Buscando uma nova organização, uma diferente circulação.
Acordo e percebo que ainda tenho resquícios seus.
Talvez seja a saudade que insiste em sobreviver mesmo que ninguém a alimente.
Assim como os vegetais fazem fotossíntese bastando o sol nascer.
Não sei o que em mim faz querer remastiga-lo, regurgita-lo todos os dias, todas as
manhãs.
Chamo um amigo meu quando isso acontece.
É um amigo meio ausente porém não deixa de ser um amigo.
Seu nome é Otimismo.
E então ele me diz que isso é porque não exercito o verbo amar, que logo um novo amor virá e roubará todo o alimento da saudade do amor antigo.
Assim espero ansiosa ele chegar e acabar com todo o alimento da Saudade. Quero que ela morra sequinha e mesmo que venha a luz solar matutina ela não tenha sequer forças
pra enxerga-la.
Será aliviador.
Promento pro sol e pra mim mesmo que quando esse dia chegar eu mudarei meus móveis de lugar.
domingo, maio 02, 2010
Terceira pessoa
Não sabia desde quando era assim.
Talvez tenha acontecido de repente, num susto, num ímpeto: d'uma vez só.
Talvez tenha sido um processo lento e gradativo, no qual se perdera sem se dar conta.
E mesmo em toda a sua incerteza, sabia que precisaria reaprender a andar. Falar. Respirar. Sentir. Chorar. Reaprender a viver.
E foi então que lhe disse,
Talvez tenha acontecido de repente, num susto, num ímpeto: d'uma vez só.
Talvez tenha sido um processo lento e gradativo, no qual se perdera sem se dar conta.
E mesmo em toda a sua incerteza, sabia que precisaria reaprender a andar. Falar. Respirar. Sentir. Chorar. Reaprender a viver.
E foi então que lhe disse,
"Não tenha medo
Dá-me sua mãoVem comigo correr a vida"
sexta-feira, abril 30, 2010
terça-feira, abril 27, 2010
à terrena
Passeio por lembranças infindas
Posso sentir o cheiro
Ainda posso sentir o cheiro
Fundo, maximizador de sentidos
De carne, de sangue, de ilusão
Passa por mim, atravessa-me o corpo
Por cima de tanta mortalidade havia.
Havia como cor primária
Havia querendo perpetuar-se
Desbotou então
Mas ainda é cor
Insiste sinestésica
perfume púrpura
ácida dor
música surda
arrepio cinza
surda ácida
perfume cinza
música arrepio
dor púrpura
Posso sentir o cheiro
Ainda posso sentir o cheiro
Fundo, maximizador de sentidos
De carne, de sangue, de ilusão
Passa por mim, atravessa-me o corpo
Por cima de tanta mortalidade havia.
Havia como cor primária
Havia querendo perpetuar-se
Desbotou então
Mas ainda é cor
Insiste sinestésica
perfume púrpura
ácida dor
música surda
arrepio cinza
surda ácida
perfume cinza
música arrepio
dor púrpura
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