quinta-feira, dezembro 10, 2009

Crime e Loucura

Estive doente
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras
eu quero a doçura do verbo viver.



De um louco anônimo

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Fim

Ele entrou pegando-a pelo pescoço e a deixando sem ar, a morte era seu desejo, a vida já não interessava mais a ela, mas que conveniente?
Só que ele era fraco demais, ainda apaixonado pela puta que destruir sua vida, ela não entendia sua fraqueza não era dessas, que choram, que parecem e que são santas, olhava para ele com desprezo e confusão, ele irado chutava as pernas de Lucia, Lucia ria da cara de Veríssimo, ele chutava com mais força. Os dois sabiam que dos chutes ele não passaria então ela resolveu levantar-se, pegar a arma que ela guardava na penteadeira, cuspir-lhe a cara e atiras 5 vezes no abdômen dele.
Morto por ela caiu no chão, ela pensou já que a proposta era matá-la desde os principio, que seria demasiado errado não atender o ultimo pedido de Veríssimo, botou a arma na boca e estourou os miolos, caiu as pés dele. Por ser uma casa de campo ninguém ouviu os tiros, então os corpos ficaram lá tanto tempo que quando foram achados nem puderam reconhecê-los, foram enterrados como mero indigentes, um nobre burguês e uma puta de classe.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Pedaço de vida, pedaço de alma.
Pedaço dele próprio descansando no ventre daquela que o completa.
Que aquele pedaço era seu, que era também dela e era ainda mais outro pedaço que não pertencia a nenhum dos dois.
E que quando a semente virasse planta finalmente, ele iria todos os dias olhar nela tudo aquilo que era a mãe: em seus cabelos, compridos em cachos, em suas sardas, nas três pintas do ombro esquerdo.
Pedaço de ser que era o seu amor depositado no fundo da alma de mulher.

- Vai se chamar Cora, disse, apoiando as mãos com zelo na barriga de vida da outra.



" De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela
"

terça-feira, novembro 17, 2009

Aparecer offline

Quando o jovem completa dezoito anos está apito a sair e freqüentar todas as festas que sempre viu fotos em fotologs e em perfil de “gente famosa” no orkut. Quer sexo, drogas, rock’n’roll a noite toda e festa todos os dias. Mas ninguém contava que tinha um ano no meio do caminho.

Entretanto, quando passa a freqüentar tais festas percebe que esses seres não são tão bonitos e legais. E que essas festas sem álcool seriam um porre. Por mais que você lute contra um dia se pega numa festa fazendo pose com aquele que um dia já foi apenas imagens na tela.

E um dia, algo grita dentro de você. É insuportável, as mesmas pessoas e musicas e lugares. E se pergunta, como eles agüentam? Você ainda tenta variar, mas mesmo escapando e curtindo outras festas quando volta você nada mudou. E você se pergunta novamente, o que eu to fazendo aqui?

Nessa hora que entra nosso status aparecer offline, você caminha até ao bar e com toda calma faz seu pedido com o cigarro na boca ainda apagado:

- Uma dose de vodca, sem gelo. Por favor.

É, no meio do caminho tinha um ano.

sábado, outubro 10, 2009

Lá na terra dos broncos, ela menina-mulher não se deixa abater, mas um dia a força do sujo e seus desejos a possuíram. Em seus seios uma marca de guerra foi deixada, com peitos nus e marcados ela caminhou.

Chegou a uma rameira falante que a amavelmente a socorreu, dizia-a que entendia suas dores, entretanto a pobre coitada nada sabia sobre Bianca, assim perdida levou-a ao vilarejo que a menina-mulher freqüentava, lá elas encontraram um nobre infante que friamente a socorreu.

Nem ele compreendeu seu coração que sempre foi gélido palpitava no ritmo do choro de Bianca, seu desejo de proteção e seu estranho afeto tornaram-se medo e culpa. Sua alma banhada de vergonha fez menos do que poderia, porem conseguiu resguardar a idéia de honra que todos e nem todos possuíam dela.

Feridos, O Nobre-Infante e A Menina-Mulher se olharam, tentaram, mas não conseguiram sorrir, sem abraço ou despedida. Eles dormiram pra tentar esquecer.

sábado, setembro 19, 2009

A Sobriedade das Cores

Na esperança de que algo causasse estranheza ao que sentia, abriu a gaveta do armário e logo de primeira conseguiu identificar o objeto que a faria melhor. Analisou por alguns instantes a forma insegura e pensou no espaço em que ocuparia em seu corpo caso resolvesse engolir tudo de uma única vez.
Em poucos passos alcançou a janela e olhou para baixo ainda segurando o frasco. Tentou agarrar com a mão que lhe sobrara um pouco de ar para levar aos pulmões, como fazia ainda menina e ficou a pensar se não era o ar que abraçaria sua mão e não ela e sua tentativa anterior.
Olhou ao redor e viu as paredes do apartamento muito bem pintadas com cores sóbrias e por instantes o objeto que carregava consigo desequilibrou a sobriedade das paredes, infligindo uma espécie de nova regra ao espaço.
Retornou a gaveta do armário, abriu, e logo de primeira conseguiu identificar o objeto que a faria melhor. Como se previsse o próximo passo pensou que o ar faria bem para seus pulmões e com a mão que lhe sobrara agarrou sobriamente a outra mão, olhou para baixo e pensou no espaço em que ocuparia em seu corpo caso resolvesse engolir todo o ar de uma única vez.
Logo encontrou as paredes dentro do frasco e em longos passos alcançou o ar sóbrio que adentrava no apartamento e fazia com que suas mãos ficassem nervosas, respirou o desequilíbrio para seus pulmões e o seu rosto bem pintado causou estranheza ao se olhar na janela, e como se ainda fosse menina olhou para baixo agarrada ao frasco e desequilibrando as nuvens infligiu uma nova regra ao apartamento.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Do Sentir

Aquele corpo contra o seu transmitia algo distinto, que chegou a chamar de amor por um instante, sacudindo então sua cabeça como que para espantar uma idéia errada. Parou por um momento, concentrando-se apenas em gravar a sensação para poder mais tarde recordar-se. Se não memorizasse cuidadosamente tudo o que sentia, um dia não lembraria mais do que se passou com seu coraçãozinho pequeno, e quando não se lembra o que se sente, não se lembra o que se é.
- "Porque ser humano é ser sentimento", suspirou, num som imperceptível aos ouvidos do outro.


...



E naquela tarde, ao ouvir o som que saía dos lábios alheios formando as palavras "eu te amo", não soube reagir; receou passar a impressão errada, teve medo de parecer indiferente diante de tais palavras. Mas o problema não era indiferença, ou a não-correspondência daquele sentimento - é que sempre temera essa declaração. Tinha a impressão de que, nomeando aquilo que sentia de Amor, transmitiria uma certa prepotência: quem era ela, para conceituar esse tal de Amor?
Reparando na expressão aflita que se formava no rosto daquele que ousou fazê-lo, apressou-se em tentar explicar que aquilo que sentia não era de menor importância, veracidade ou magnitude:
- "Ah, sentimento não tem nome. Amor não tem nome, também, é só apelido."

terça-feira, setembro 15, 2009

Meu Amor.

Ele olho nos olhos dela e disse:
- Nada posso comparar com seu toque, não há nada que eu possa querer além de você. Inqüestionável é, eu te amo.
Ela assustada com a declaração, ficou calda e por um instante e retrucou:
- Mas eu não te amo. Aos pé de Amanda ele caiu, ela abaixou até Claudio e continuou:
- E nunca amarei, você e nenhum outro, mas posso oferecer o toque que tanto deseja, ofertar meu corpo e minha luxúria. Por uma ultima vez.
Claudio tremeu com as ultimas palavras de Amanda e questionou, entre gemidos e lágrimas.
- Por que uma ultima vez? Sem pensar, Amanda respondeu.
- Não vou ficar me deitando com chorão, muito menos com um homem apaixonado por mim. Levantou-se e conclui
- Amanhã será sua ultima noite, uma pena estar nesse estado deplorável, senão resolveria hoje mesmo.
Virou-se e partiu sem olhar pra traz.

domingo, setembro 06, 2009

Falácias Da Revolução

Constantes momentos nos sentimos revolucionários, mas que belos palhaços são aqueles, que aceitam as mesmices de sertão árido e escasso. Já mudou! Pois o gordo de sangue azul não é mais a quem devo servir, não somos mais as fezes do Reino Divino e a Louca não deve ser salva. Agora sou a graça de um império, que nem divino é mais. Eles abusam de do meu doce e usam nossas mulheres como se fossem putas desalmadas, nos chamam de cucarátios. Sou cucarátio, mas não sou palhaço imperial . Ousam dizer que meus irmãos, dominadores da arte de compartilhar, enquanto fumam seus divinos charutos, que são os vilões da união. Escravizam-nos e não vemos, fazem que os meus acreditem que vivemos em mundo ideal, mas honestamente acho que aqui é o umbral, contam que a revolução é apenas uma falácia, entretanto verossímil é contar, que dessa terra de cucarátios nascerá a revolução dos sonhos.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Frô

A princípio não a tocas, receando ferir-lhe as pétalas. Tomas coragem em seguida e, cuidadosamente, a seguras por seu caule, seus espinhos furando-lhe a palma das mãos pequenas - mas não ligas. Levas seu perfume a teus pulmões, tragando aquela fragrância dos amores que foram um dia também frágeis pétalas nas flores de primavera. Mas agora chega o outono, e seus espinhos cravados nos teus dedos são tudo o que fica contigo. Mas não choras, não, nem te desesperas; apenas recolhes o seco caule em um gesto de calma inquebrável, guardando-o para ti até que chegue o próximo equinócio.