sexta-feira, janeiro 16, 2009

saudades de mim

27-08-2008

duas e vinte e sete da madrugada. e nada faz sentido.

a saciedade é um tédio, como diria Álvares de Azevedo, velho amigo que reencontrei há pouco.

hoje (espero eu, otimista) será um dia cheio.
mas se for do jeito que deve ser, o jeito como seu sorriso ilumina o cômodo não deixará com que seja tedioso. e saciará. saciará uma saudade já desproporcional em relação ao desejado. um amor já destilado, que pois então deve ter sua queimação apreciada aos poucos e com cautela, para que não venha a queimar a garganta novamente com seus disparates irremediáveis.
é consolador saber que eu não consegui estragar tanto tudo. ou pelo menos saber que eu acredito nisso. saber que eu acredito n'algo já é um grande avanço. saber que eu acredito em não ter estragado algo é um avanço maior ainda.

atravessar a Lagoa-Barra amarra-me a garganta. desde sempre, não se pergunte porquê.
é o passado perto demais.
um passado remoto, um passado saudosista
(odeio pensar numa palavra e não ter certeza de que seu significado abrange o que eu quero dizer e então, não achar o dicionário. odeio dicionário na internet.) (então.. saudosista, ou saudoso, segundo o site.)
, um passado que nada mais foi do que um presente inocente, o mais inocente de todos desde que entendida por gente e então, pressuposto, entendida por capaz de causar dor e prazer sem medir conseqüências.
do primeiro beijo, velado (velado é trágico e mórbido o suficiente) por uma responsabilidade esquizofrênica
ao primeiro sentimento fraternal de pertencer eternamente a alguém e tê-la pertencida, sem lembrar-se já direito onde e porque a vida te permitiu encontrar alguém que te dá segurança só por pensamento, seja lá onde esteja e como estiver.
me sinto impotente, preguiçosa, acomodada. queria poder te pegar nos braços e girar mais vezes. queria poder ouvir sempre você contar das suas aventuras daquele jeito pausado com voz de mulher jovem que ainda me causa certo estranhamento, visto que te tenho sempre como uma moleca. e saber que essa moleca cresceu e eu vi o quanto julgo insuficiente e agora é um mulherão. e saber que o tempo tá passando, que passaram-se já 3 anos, mas que virão muitos ainda. muitos, muitos. senão todos.
e agora, sendo a amante piegas que eu sou, o ar já me chega com dificuldade aos pulmões, enquanto as lágrimas me chegam com facilidade extrema à face.
e então eu me sinto medíocre, por derramar com muito mais freqüência as mesmas lágrimas por paixões passageiras.
e me sinto então desprezível, ao saber que as de agora, tão infinitamente nobres, se fazem ausentes e talvez desnecessárias.
sem dúvida, só se dá valor quando se sente falta.

perdi o rumo intencional do início do texto, mas me sinto melhor. não que eu me sentisse mal antes.
eu preciso me sentir assim mais vezes, mas a parelha do presente e o sentimento de não ter o que eu preciso impede.

posso não ter o calor falso de um determinado corpo masculino fantasiado a meu gosto junto a mim sempre que julgo preciso (deixando claro que meu julgamento não deve necessariamente ser levado a sério, pois na maioria das vezes eu mostro-me apenas como uma lasciva limítrofe).
posso aceitar que não foi minha respiração que buscaste então aquela noite.
posso aceitar que não é medo e sim piedade que tens por mim.
tudo isso não passa de coisa alguma verdadeiramente importante.

antes a transcendência de um amor, entrelinhas puro, infinito, inescrupuloso, invejável
do que ter a ousadia de deixar-se poluir o coração pela fumaça ainda quente produzida pela combustão como que de material plástico sem valor.

três e vinte e oito da madrugada. e tudo faz sentido.

a saciedade é um tédio, como diria Álvares de Azevedo, velho amigo que reencontrei há pouco.

3 comentários:

Chay disse...

da época que eu amava,
mesmo que platonicamente.

Ferreira, Lai disse...

Tipo anteontem.

chayenne f. disse...

me deixa fingir qu estou um dia sem morrer de amores por qualquer um que não mereça!
ai, vocês adoram me desiludir.
iushuishaiueha