Domingo, Fevereiro 12, 2012

Estamos todos tentando alcançar da nossa própria maneira e então mesmo quando escolhemos coisas concretas como nossos objetos de desejo, sinto que eles são apenas símbolos e que o real objeto do nosso desejo é a força criativa inerente a tudo. É o que nos criou e o que perpetua nossas vidas, e assim nossas criações são suas criações. Como se você construísse um robô que pudesse pensar e sentir, e ele pintasse um quadro, este quadro seria o resultado da estrutura precisa de pensamento e sentimento dos quais você dotou o robô. Somos todos gratos pelo que recebemos. Mesmo quando estamos infelizes com tudo, é sempre “coitadinho de mim”, mostrando que ainda pensamos naquele “eu” e nos seus sentimentos, como tendo muito significado. É uma coisa bem impressionante ter essa rede complexa de pensamento e sentimento nesses corpos. De onde vem? Nós seguimos a pista da causa da questão de algo que requere a pré-existência do tempo, os princípios do movimento, espaço e muitas outras coisas. As leis do movimento, tempo e do espaço onde tudo existe, todas tem causas sem pista. Assim como não temos idéia de onde vem coisas como a percepção e os pensamentos. Então porque qualquer coisa existe de qualquer maneira, seja como atualmente ou potencial, é desconhecido. Eu atribuo todas essas coisas à força criativa, porque apesar da essência ser desconhecida, é uma coisa certa dentro de cada um de nós. E se torna mais clara o quanto mais geradores e positivos se tornam os pensamentos e as ações de uma pessoa, até que ela não parece mais ser desconhecida. Nossa própria natureza criativa é uma pequena versão da força criativa a qual devemos a nossa existência, então podemos entender essa força por nós mesmos simplesmente fazendo atos criativos.

As propriedades geradoras de vida que os raios de sol contém são algo que nós mesmos imitamos, seja sorrindo para alguém ou contando uma piada, ou cantando uma música. É uma necessidade humana quando você sente algo por dentro e quer expressar. E aquela substância geradora da vida que o sol brilha para nós é muito parecida com as nossas ações criativas. O sol está nos dizendo que se você repetir uma ação todos os dias (como aprender algo, tocar um instrumento ou construir algo), o objeto dos seus esforços irá crescer e crescer. A sua habilidade de se expressar ou de dar algo ao mundo ao seu redor irá crescer com a sua persistência em fazer o que quer que você faça. E apesar de parecer que o sol sobe e desce, tendo seu processo de aparente subida, apogeu, descida, e depois se esconde, a ciência nos ensinou que isso só parece ser assim para o nosso ponto de vista e que ele está circulando em torno, e brilhando com força total sempre. Assim como as nossas “subidas” e “descidas” só parecem assim para nós. Na verdade nós estamos prosperando o tempo todo. Tudo que fazemos é direcionado para brilhar a nossa forma de luz. Nós não poderíamos fazer isso se estivéssemos no apogeu o tempo todo, assim como a vida como conhecemos terminaria se o sol estivesse sempre no que nos parece ser o seu ponto mais alto de força. Uma pessoa não poderia nunca se superar em algo se o fizesse só de vez em quando, é uma boa dica de que a coisa à qual devemos nossa existência repete suas voltas todos os dias. Persistência é uma coisa incrivelmente potente.
Temos sorte de que a vida não é como os sonhos, nos quais o resultado das nossas ações é perdido com o próximo sonho. Aqui temos a possibilidade de construir algo dia após dias, seja uma habilidade em algo ou um edifício de verdade. Seja no mundo ou nas nossas mentes, o princípio se mantém. Lemos uma página de um livro, e lendo a página seguinte os eventos se seguem aos anteriores. Na música, uma nota conduz à próxima, a nova em relação àquelas que a precederam. Ou aprendemos o básico de algo e depois gradualmente as complexidades daquele assunto. Esses presentes são nossos para que façamos com eles o que bem entendermos.

Tentar e desistir andam de mãos dadas. Mas é o tentar que merece a atenção da nossa vontade. Desistir é simplesmente expirar. Inspirar é o que precisamos lembrar de fazer. Expirar segue naturalmente. O importante é continuar inspirando. Tentar e depois passar por tudo que acontece, inclusive o não tentar. E então às vezes prendemos a respiração. Estas coisas não são problemas. Isso é viver. Contanto que a mensagem que você envia para si mesmo seja que o importante é que você seja guiado pela força criativa que tem dentro de si, no caminho você está na mesma trilha do sol. É claro que você vai parecer subir e descer, e estar na luz e na escuridão. É a vida. A realidade é que você é uma estrela brilhante circulando pelo espaço o tempo todo. Então fazendo as suas ações circulares (fazer uma atividade criativa ou educacional consistentemente) você irá naturalmente se tornar mais daquilo que realmente é. E você já é isso. É só um jogo aprender a ser isso mais completamente em meio ao ambiente, e as ilusões da mudança constante e da “separatividade”. Uma totalidade de tudo é tudo o que existe, que já existiu e que irá existir sempre.

John Frusciante (27/01/2009).

Quarta-feira, Novembro 16, 2011

canário

Acordou num estalo, abriu os olhos e jogou em um estante toda a sonolência fora, se desesperou por não reconhecer o lugar e nem as pessoas que estavam a sua volta, olhou pra si a blusa suja de vomito, só de calcinhas e uma camisinha usada grudada na perna esquerda, entrou em pânico e pensava “fiz de novo”. Ana era desse tipo de menina festeira, só com 18 anos cheirava cocaína e bebia vodka, que perdia a noção de quem era e tinha seu corpo usado por muitos e muitos rapazes, alguns diziam que pelo fato dela não conhecer o pai a tornara uma vadia sem freios, necessitada de atenção masculina. Olhou mais uma vez a sua volta e reconheceu um amigo, Eduardo era mesmo uma bixa nojenta e sem escrúpulos, tava deitado em cima da barriga de um cara sem calças com a cara virada pro pau dele e com rosto sujo de porra, ela riu e levantou, com uma única duvida, quem havia a comido.
Ana fumava três maços de cigarro por dia, por isso não conseguia ficar sem fumar muito tempo, perto de Eduardo tinha malboro vermelho, o cigarro que Ana não se dava bem, mas ela o pegou, acendeu um cigarro e foi mijar, sentou com no vaso, ficou até o cigarro ter fim, ao se limpar reparou que tinha sangue, pensou que pode ser alguma DST e não ligou, saiu e foi até espelho tinha, roxos por todo corpo, riu-se e pensou “noite divertida” foi até a sala do apartamento no 18 andar nas ruas de São Paulo, acendeu outro cigarro, as janelas daquele apartamento não tinham proteção, não tinham segurança, mas isso não a impediu de sentar-se na janela daquele prédio gigante a dois andares da cobertura, nisso ela reparou que onde ela estava sentada tinha poça de sangue, ela ficou catatônica por um segundo, mas logo entendeu ela estava perdendo o filho que não sabia que tinha, aquilo doeu tanto, tanto e que seus pensamentos voaram direto para o niilismo, nisso Eduardo entra na sala e eles se olharam e ele disse “não, bixa” e ela se inclinou para fora no apartamento voando direto pro chão e antes de 10 segundos seu corpo estava esmagado contra o asfalto.

Terça-feira, Junho 21, 2011

Incoerente

Cheirei seus cabelos forcei suas pernas para abrirem pra mim, sou sim o que deve ser, ela não vai negar meu chamado, dei-lhe dois tapas na face, rasguei seu vestido com essas mãos, ela chorava, como uma bezerra domada deve chorar, mas mesmo assim a estapeei novamente para garantir o silêncio, para garantir minha paz. Cheirosa corpo da cor do leite, o rosto rosado depois dos tapinhas, seios que brotavam, só tinha 14, já podia ser mãe, já podia ser domada.
Penetrei o ventre da menina terra, não era morena, mas não estava seca, nisso soube que aproveitava o momento, dominei-a com movimentos, chocava meu quadril ao dela, zonza de prazer estava, não tinha como esconder,haverá de me agradecer por ter sido do domada por um homem como eu, ela chorava em silêncio, como eu havia exigido, aproveitando cada minuto daquilo.
Retirei o pau de dentro dela e forcei a entrada e sua boca, ela o reverenciou com sua língua astuta, depois esporrei em sua face e parti. Tenho certeza que agora ela sonha e espera todos os dias que eu retorne e dome-a mais uma vez, e mais uma vez.

Quarta-feira, Junho 15, 2011

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.
William Shakespeare

Ela lia essa frase tantas e tantas vezes, finalmente entendeu que a dor confusa que somente ela e somente ela sentia era facilmente dominado por todos os outros a sua volta, é isso. Descaso, nunca ouvira um pedido de desculpas, fora humilhada e ninguém a defendeu. Geni, fora pela primeira vez apedrejada pela opinião publica, mentira, mas pela primeira vez isso a abalou, como se não fosse bastante fora humilhada pelo abandono e esquecimento de sua mãe, enquanto ela chora, a mãe a olhava e dizia, não reconheço seu rosto, de tão incrédula ficou cegamente crédula desse esquecimento, mas logo foi corrompida por seus queridos companheiros que a alertaram da natureza malvada de sua mãe, agora sobrou a dúvida e a ofensa, porque mesmo desmemoriada esquecer-se dela foi por de mais ofensivo.
Mas todos parecem viver bem suas vidas ao lado daqueles que a ofenderam, ai vem a dúvida de Geni, será que seu amigos, amores e servos são leais a ela, será que vive eterno da mentira de um amor desonesto, logo ela que sempre fora honesta ao menos com seus aliados, ela é amada, por pelo menos alguns, dos quais ela não duvida, mas os outros que levam seus sonhos embora e aqueles que já a esfaquearam e vieram numa praça cinza perguntar, por que ela havia exilado eles de seu reino, ela perdoa, Geni é boa, mas parece má, mas ela é boa, devia ser má, há de ser má e quando for, todos vão me pagar.

Segunda-feira, Abril 25, 2011

as traças se apossaram de nossas terras.

Segunda-feira, Abril 11, 2011

Eu nunca vou permitir
Que você me toque
E nem se aproxime
De mim
Vou manter você atrás do muro
Frio
Enlouquecido, querendo abrigo
E não vou me importar
Com nada
E não adianta nem tentar
Que não vai levar
Meus sorrisos, meus olhares
Eu sabia que iam ser mal vistos
Mas idaí? Não posso apagar o que foi feito
Pela a gente
Eu ri não foi de amor
Olhei, foi com pudor
E você só pensou sujeira
Diga agora
Se o que você pensa é problema
Diga agora que você não explodiu
Em erupção pensando em mim?
Não diga que você só viu o que queria ver
E temeu o que você sentiu
Temeu a mim
Não diga

Quinta-feira, Março 31, 2011

simbiose

Estar sozinho numa madrugada com uma caneca de café nos faz pensar, pois eu não penso o tempo todo, já estou mecanizado e muita coisa que eu faço saí no automático, hoje eu reflito sobre a causa de ter me sentindo tão perdido nuns tempos pra cá. Eu por muito tempo na minha vida fui um igor que não era o Igor, eu era uma farsa de mim escondido dentro do closet, mascarando minha sexualidade, quando eu saí desses closet me juntei a rebeldes revolucionários e instaurei a minha revolução, só que nesse meu grupo com tempo fomos perdendo a nossa identidade e nos tornando uma única criatura simbiótica, onde não reconhecíamos nosso começo, meio e o fim. Apesar de bastante caótico esse estado, nós tínhamos uma harmonia indiscutível, e um Q de monarcas sem teto cômico, mas não tínhamos uma identidade individual, eu como um típico libriado estava muito satisfeito com esse equilíbrio meio fajuto e tempestuoso, mas equilibrado. Daí eis que surgem novos seres da nossa espécie, nós os atraímos, mas eles não aglutinaram, dividiram e iniciaram o nosso processo de divisão, como os odiei em silêncio por me trazer o gosto do futuro, o gosto da mudança uma mudança pela qual eu relutei e hoje me arrependo tanto, hoje aqueles que vieram com uma proposta de transformação me deixaram um pouco mias só, mas me devolveram a mim, eu os amo e sou muito grato. Quando a criatura que fomos já não existia, por um tempo eu ainda não era o Igor, eu fui por algum tempo o pedaço daquela criatura, ai veio a dor, afinal eu tinha agora de me entender, eu voltei a me ver, de cara não gostei, não quis ver nada. Agora eu me vejo em equilíbrio comigo sendo o que puder ser como devo ser, ontem me perguntaram se eu estava apaixonado, pois eu estava muito bonito, hoje percebo que sim, estou apaixonado pela possibilidade ser.

Esse não é um texto pra todos, esse texto é meu e de meus afins então aproveite-o como puder se você não se sentir contemplado.

Sábado, Fevereiro 12, 2011

Fluidos

Parada em frente ao espelho do banheiro, Ana se olhava, sorriu, pôs o cabelo para trás da orelha, pegou a navalha do irmão e dilacerou os pulsos. Não deu nem um grito, reprimiu toda dor, um pouco em êxtase olhava seus fluidos escorrerem para o chão de ladrilhos, um banheiro grande e iluminado.
No fluxo do sangue foi lembrando em ordem contrária do que a fizera estar ali morrendo, lembrou-se da dor, da angústia e incertezas de toda uma vida, muito curta, uma menina de 20 anos, aparentemente feliz, mas julgava-se sem sorte, ela com as mãos dormentes e zonza sentou-se e encostou na parede, sentada numa possa de sangue riu, pois lembrando das duas outras fezes que suas pernas se sujaram de sangue, a segunda quando pela primeira vez foi penetrada, ela não se lembra bem de como ou quando foi penetrada mas lembra do sangue e do prazer, a outra foi na sua primeira menstruação, lembrou-se da angústia que sentirá, mesmo com os alarmes de sua mãe de que em algum momento ela sangraria pelos ventres, ela não pode se sentir nada mais do que envergonhada e diferente, sentiu-se mulher. Nunca seria mãe ela pensou, não saberia o que é amar como uma mãe, pois sabia que seria o amor mais puro, o amor mais bonito e o mais doloroso, e com isso percebeu que perderia todo sentimento do mundo, e que já não mais sentira em suas mãos, ou em sua alma toda a dor, ódio, tristeza e amor, na verdade sentir por sentir é que lhe importava, transtornada não queria perder tudo que importava, sua capacidade de sentir, sua vida, tentou gritar, mas já não tinha forças, já não tinha vida, sua luz apagou e sem forças desmaiou.
Acordou num quarto de hospital e se sentiu envergonhada e indignada por ter falhado, mas tão grata, tão grata por poder tentar tudo de novo.

Quarta-feira, Fevereiro 09, 2011

Do Querer.

Tudo que sempre me resta das pessoas são as coisas que eu consigo roubar e que provavelmente para estas são ditas “sem valor”. Só que as coisas, os objetos são mutáveis. Elas acabam absorvendo as lembranças que nós damos a elas.

E sempre fica essa coisa por dizer. Eu só espero que da próxima vez que eu diga seu nome ao telefone mudo, você me responda do outro lado, só para ter certeza que eu ainda posso dizer o que eu não digo. Para que eu não sinta de novo aquele sentimento amargo. Essa culpa por não falar quase nunca o quanto eu me importo e a culpa por também falar o que eu não penso. Sempre será a minha rota de fuga, porque eu também não quero ouvir o que você consegue dizer eu prefiro criar, até mesmo a dor, eu também crio a dor que eu sinto. Essa verdade inventada que me faz sofrer e que também me faz guardar tudo isso. Eu precisava tanto saber que eu ainda posso.

Eu só queria saber criar coisas que me fizessem bem. Recriar-me como conciliação ao que eu mesmo me provoco, como se eu pudesse me virar no meio da noite e te espiar pela fresta da porta, ter certeza de que você dorme e de que você acorda. E assim eu poderia ter a verdade inventada que eu tanto planejo. A utopia de que a ausência é só mais uma coisa minha, independente de você estar ou não.

Por um instante, por meia verdade e eu poderia me livrar de tudo isso e ser infinita desses mil amores que eu carrego no peito. Antes mesmo de hesitar por qualquer precaução de resguardo eu romperia no amanhã dizendo que ainda aguardo de você todas essas coisas que eu criei e nunca ouvi da sua boca.


Obs.: Mais Bianca do que nunca.

Segunda-feira, Janeiro 17, 2011

Alento

Ela iria permanecer no meio do cerco. O medo com tênues nuances a desconfiava por de trás das fechaduras, cortinas, sapatos por calçar, as valsas das meninas de quinze anos e os prazeres das pequenas lembranças.

Por agora trocaria os dias pelas noites. Se conseguisse ver chegar os sonhos que as vinha assistir sentir-se-ia melhor. Sempre sonhava com o galeão espanhol no fundo do rio que fazia parte das velhas histórias do invulgar. Certa vez lera e relera por quantas vezes se sentisse sozinha.

Saberia da solidão. Saberia das ligações no dia seguinte ou no meio da noite. Não saberia de si própria. E Deus. Saberia Deus dela? Só a sabia quando ela o sabia e por assim seus sonhos com o galeão tinham Deus como marujo em uma corrente torrencial de devaneios onde ela mesma poderia assumir nova disposição da criação.

Você poderia ficar mais um pouco. Pelo menos até que eu dormisse e pudesse chegar ao ponto de tentar achar o tesouro que era levado quando tudo naufragou. Eu não gosto de me despedir dizendo “tchau”, me parece agressivo demais. Por isso te disse o “adeus”;

-Eu não gosto de “adeus”, porque parece que eu nunca mais vou te ver.

Na verdade eu não queria dizer tchau, nem mesmo dizer adeus ou até logo. Eu só faço esse tipo. Poderia sussurrar sem dizer nada e entre os sons que eu não digo teriam os seus silêncios que intercalam com as misérias dos meus sentidos. E todas as letras que encarceram o “querer” seriam ensurdecidas pela vontade de dizer:

-Anseio

Bianca Burnier