quarta-feira, dezembro 24, 2008

deVERAs

Andei pensando sobre o Pedro Segundo ultimamente, e a conclusão inevitável a que chego é que me enganei um pouco na minha primeira análise. Não me levem a mal: de fato ainda acredito que é um dos melhores colégios que já tive a oportunidade de conhecer internamente, mas não acredito mais que a formação dos alunos seja a que tenho por ideal. Na verdade não conheço um colégio que a alcance, a não ser aquele que crio todos os dias no logos (ops, desculpem o filosofismo). O fato é que acredito de verdade em uma formação política, acredito em um ambiente que permita de verdade aos estudantes lutarem pelos seus direitos ou o que eles acham que são seus direitos, ou simplesmente pelo que eles acham certo, mas não sei se acho mais interessante o que vejo no Pedro Segundo.
Apedrejem, mas não sei mais se educar deve necessariamente significar transformar crianças em adultos – como acontece. Não sei mais se é tão necessário assim à juventude colar os pés no chão (mesmo que sonhando ainda) e transformar-se numa legião de heróis, possíveis mártires ou o que sejam esses superdotados criticamente. Não sei mais se os sonhos mais fantasiosos de cada um (sei lá, se tornar um pirata, voar, ser o rei das pistas de dança, tornar-se um justiceiro noturno ou qualquer coisa “boba” assim) devem ser colocados em segundo plano em relação às lutas políticas travadas dentro e fora da escola. E o pior – que a participação ativa nessa esfera política seja considerada obrigação a qualquer pessoa que se diz mais do que massa.
Acho que – e não estou com isso dando passos no sentido contrário do curso da filosofia, pois a concepção de filosofia simplesmente como crítica é tão pobre como bastante ignorante filosoficamente – não precisamos tanto (ou de tantos) críticos. Uma autocrítica já é muitas vezes o bastante, e quem somos nós pra achar que temos responsabilidade pelo mundo em que vivemos? Quem foi que colocou na cabeça de cada um que se todos não se mobilizarem vamos ser explorados e destruídos? Por que todos ainda acreditam que devem esquecer (ou sub-estimar) quaisquer outras vontades em prol de uma luta que não precisaria ser travada se a mentalidade do ser humano desde a gênese fosse diferente?
Enfim, não estou criticando a vontade de mudar o mundo que todos nós temos, muito menos a necessidade que o país tem de pessoas certas para que essa mudança aconteça, e menos ainda a militância dos jovens (em especial do Colégio Pedro Segundo) nessa luta, mas acredito que uma escola precise fazer de seus alunos ainda mais. Precisa fazer com que, ao mesmo tempo que se tornem adultos, continuem sendo também crianças.
Os alunos do Pedro Segundo precisam falar um pouco menos da Vera e falar um pouco mais do Verão.

3 comentários:

Chay disse...

Se eu tivesse um poder de abstração maior, eu falaria sim, do verão. Mas enquanto o verão não faz parte de mim, eu falo das Veras.

Grosso modo, tenho 17 anos, sou sustentada por meus pais e eles me obrigam a passar de ano, no mínimo.
Tenho duas opções:
- sentar e ignorar o que acontece ao meu redor e afeta a minha 'sobrevivência' naquele espaço;
- sentar, ignorar a necessidade/obrigatoriedade de sobreviver naquele espaço e falar do verão.

Não falo da Vera porque gosto, falo porque tem gente que não gosta de tomar no cu, e não podendo simplesmente mandar tudo pro caralho, como seria o ideal, só lhe resta a reclamação.

E a única coisa que eu talvez saiba fazer e me sinto segura para fazer nesse mundo, é reclamar, mesmo que levianamente.

Ferreira, Lai disse...

Pois sugiro que se reclame da Vera e se fale no verão.
Acho que é isso que todos fazem, pedrosegundeanos ou não.
Devem haver milhares de Veras por aí.
Eu e você devemos ser uma escpécie de Vera pra outrem.
Eu e você devemos ser o verão para outrem.

Chay disse...

quiçá