quinta-feira, novembro 06, 2008

Fulana

Encontramos conhecidos na fila do pão, ela nunca será conhecida. Nunca recordaremos dela como a fulana de unhas vermelhas. Que não gosta de chocolate e assiste novela, se emociona no final do filme. Mas por que não encontramos fulana de blusa amarela em nossas aleatórias recordações?
O que a faz não parecer humana?Não seria o próprio fato de existir?
Mas ela sabe rezar, faz sinal da cruz ao sair pra trabalhar. Mas esse tipo humano que me é “típico”. Não é visto aos olhos de Deus, muito menos aos meus. E fico a pensar, o que tem de diferente.
Fulana trabalha de domingo a domingo. Fulana se prostitui. Eu fiz fulana, é minha culpa se não me importo com ela.
Agora vejo fulana nos menores gestos de meu dia, vejo que fulana também é gente, desumana sou eu... Dei a luz a um filho, e como se o fosse bastardo, o renego. A descoberta dá-se a muito pelo esquecido, das diferenças surgirá revolta. Espero que um dia fulana me mate, pois está será a vingança da criatura pelo esquecimento do criador.

10 comentários:

Bianca Burnier disse...

Essa mulher realmente existe...

chayenne f. disse...

Espero que um dia eu me mate, pois está será a vingança do criador pelo esquecimento da criatura.

Bianca Burnier disse...

Belíssimo

chayenne f. disse...

Belíssima é você [rá!]

Ferreira, Lai disse...

Podem me matar agora.

Daniel disse...

fiquei por fora.

Igor Dorneles disse...

É engraçado uma menina religiosa se prostituindo, ou o medo da crueldade humana a faz recorrer a atitudes desesperadas, como superstições. Apesar de ela ser uma pessoa como qualquer outra ela vê uma realidade completamente diferente da que nós vemos, e por isso nos a vemos como uma criatura, eu espero que um dia a profissional ou o profissional do sexo tenham orgulho da profissão e que eles não a escolham por não ter opção.

Igor Dorneles disse...

É engraçado uma menina religiosa se prostituindo, ou o medo da crueldade humana a faz recorrer a atitudes desesperadas, como superstições. Apesar de ela ser uma pessoa como qualquer outra ela vê uma realidade completamente diferente da que nós vemos, e por isso nos a vemos como uma criatura, eu espero que um dia a profissional ou o profissional do sexo tenham orgulho da profissão e que eles não a escolham por não ter opção.

Bianca Burnier disse...

Você está racionalizando o humano...Isso não existe.

chayenne f. disse...

não entendi porque tentar explicar a personagem..